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UFJF incorpora Pró-Música em solenidade, dia 9, no MAMM

A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), através da Pró-reitoria de Cultura (ProCult), realiza a incorporação do Centro Cultural Pró-Música, em solenidade que acontece na próxima quinta-feira, 9 de junho, às 10h30, no Museu de Arte Murilo Mendes (MAMM). O reitor Henrique Duque de Miranda Chaves Filho assina o termo oficial, que coroa de êxito negociações que remontam a 4 de setembro de 2008, data em que os dirigentes da entidade, Maria Isabel e Hermínio de Sousa Santos, solicitaram à Universidade uma análise sobre o assunto. Com o ato, o Pró-Música passa a ser Órgão Suplementar da Reitoria, com uma minuta de Regimento que procura disciplinar a missão e os objetivos do órgão, garantindo sua consonância com os interesses e a perspectiva histórica das duas instituições.

Segundo o reitor Henrique Duque, “ao longo de sua existência, UFJF e Centro Cultural Pró-Música construíram diversas parcerias e, agora que a Universidade acabou de completar 50 anos, resolveram investir na mais audaciosa parceria jamais sonhada pelas duas. Resolveram se unir, de maneira cabal e definitiva, em prol da cultura e da arte”.  E complementa: “A partir da doação de todo o patrimônio do Centro Cultural Pró-Música para o patrimônio da UFJF, aprovado pelo Egrégio Conselho Superior em 30 de março de 2011, nasce uma nova realidade para a música erudita, para os diversos campos de atuação cultural”.

O pró-reitor de Cultura da UFJF, José Alberto Pinho Neves, avalia que a incorporação confirma a credibilidade da UFJF que, de modo diferenciado, nos últimos anos, resgatou a importância da cultura como instrumento de inserção acadêmica, pesquisa e extensão. “O comprometimento do reitor Henrique Duque com este processo cultural levou-o a criar uma Pró-reitoria de Cultura, que vem atuando tal como o galo cantador do poema “Tecendo a manhã” de João Cabral de Melo Neto, que eclode seu canto harmonizado a outros cantos, tecendo o amanhã cultural da terra de Murilo Mendes. Esta incorporação, união de valores e sucesso consolidados, constitui-se num diálogo constante entre a UFJF e a sociedade pela voz da cultura”, ressalta.

Presidente do Centro Cultural Pró-Música desde a sua fundação, em 1971, Maria Isabel de Sousa Santos declara que se trata de um ganho que vai além das duas instituições envolvidas. “Com o atendimento da UFJF à proposta de incorporação do Pró-Música, através da doação de seu patrimônio material e imaterial, tenho a convicção que não só as atividades desenvolvidas pela nossa instituição manterão o nível de qualidade praticado nestes 40 anos de existência: Mais do que isto, enxergo o natural e inevitável crescimento dos trabalhos aqui desenvolvidos. Portanto, ganha o Pró-Música, ganha a UFJF e, o mais importante, ganha a cidade de Juiz de Fora e a região”.

Vocações em sinergia

É importante observar que, em trecho do parecer final do Conselho Superior da UFJF, a conselheira relatora Diva Chaves Sarmento assinala que os estudos realizados pelas Comissões designadas para analisar a proposta de incorporação permitem perceber a sinergia entre os propósitos das duas instituições no que concerne à promoção e à divulgação da cultura da região. “A criação do Instituto de Artes e Design, na UFJF, compreendendo, entre outros, o curso de música, assinala interesses comuns. Entende-se que o acervo e a experiência acumulada pelo Pró-Música podem ampliar os campos de ação da Universidade nas áreas da pesquisa, do ensino e da extensão”, argumenta.

Ministro da Educação no Governo Itamar Franco, Murílio de Avellar Hingel analisa esse importante passo da incorporação com o entusiasmo de quem assistiu à criação do Centro Cultural Pró-Música, sonhada pelo casal Maria Isabel e Hermínio de Sousa Santos, com o apoio de outros idealistas. “Quarenta anos após a aventura cultural, social e educativa, alcança sua maturidade com trabalhos arrojados, como o Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, situando Juiz de Fora, Minas e Brasil no centro de grandes realizações. Esse momento especial contribuirá para a continuidade das ações, assegurando à UFJF decisiva aproximação com a sociedade, cumprindo sua finalidade no campo da extensão”.

Prefeito de Ouro Preto e membro da Academia Mineira de Letras, Ângelo Oswaldo, que também foi crítico de arte e secretário de Cultura durante o governo Itamar Franco em Minas Gerais, prevê que, ao ser incorporado à UFJF, o Pró-Música consagra o que era vocação e destino, uma prática superior e uma meta incontornável. “A UFJF conta com o esplêndido Museu de Arte Murilo Mendes, cuja ampliação e dinamização tive o prazer de conferir e saudar, em momento polêmico. Mais um avanço extraordinário se registra nessa incorporação. Vibram todos os que acreditam, como creio plenamente, que só há educação, de fato, em quadro cultural como o que se demarca na Universidade de Juiz de Fora”.

Um avanço esperado

Chefe de Gabinete do ministro Murílio Hingel, entre os anos 1992 e 1994, Carlos Xavier lembra que o primeiro contato direto com a produção do Pró-Música se deu através do CD com a gravação da Orquestra e do Coral do III Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, que trouxe o Credo e a Missa em Mi Bemol Maior de José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita. Segundo ele, o resultado de toda essa contribuição ao desenvolvimento cultural do país é justamente o acolhimento do Pró-Música pela Universidade. “Uma consequência natural, como foi a criação do Centro de Estudos Murilo Mendes, hoje Museu de Arte Murilo Mendes. É a garantia da conservação do imenso acervo já conquistado e da continuação do trabalho de educação musical que resulta da atuação do Pró-Música”, analisa.

O jornalista Wilson Cid ressalta “a grande importância de se transferir à UFJF o patrimônio e o prestígio que o Pró-Música capitalizou ao longo de sua existência e atividade ininterrupta. “Em primeiro lugar, porque fica patente o reconhecimento da instituição federal a um empreendimento cultural, cuja importância não tem similar na história da cidade”. Segundo ele, trata-se de uma grande herança, em razão da qual são devidos os cumprimentos ao reitor Henrique Duque, que preside a tão importante transição. Outro ponto que o jornalista acha pertinente abordar está relacionado a seu sincero desejo de que a UFJF confira ao Pró-Música “a mesma dedicação e o mesmo amor à causa que marcaram a vida de seus fundadores”.

Com a poesia que lhe é peculiar, o pintor Carlos Bracher atenta para este momento histórico como de grandes benefícios culturais e um exemplo de desprendimento. “Talvez terei assistido, em vida, dos mais comoventes momentos de generosidade, quando o Pró-Música, exemplo inconteste de uma vasta obra humana e musical, seja agora, após quatro décadas de diuturna entrega, ofertado pronta e dadivosamente à Universidade Federal de Juiz de Fora”. E completa: “Na verdade, este não é o significado maior que a arte nos propõe?”.

Momento histórico

A Universidade e o Pró-Música vivem um momento histórico, que se estende em importância à comunidade, ultrapassando fronteiras, o que já vem sendo feito através de promoções como o Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, que chega à sua 22ª edição no próximo mês de julho, com a UFJF como patrocinadora.

Representando a direção do Pró-Música, Júlio César de Souza Santos lembra que, em 1971, seus pais e um grupo de colaboradores sob a liderança do pianista Arnaldo Estrella começaram a realizar um concerto mensal  de música erudita na cidade. Daí surgiu o Centro Cultural Pró-Música, associação de utilidade pública municipal, estadual e federal. “Deste sonho realizado nasceu o Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga e o Projeto Ação Social Através da Música”, conta, lembrando ainda as séries mensais Clássicos Pró-Música, Terças Musicais e Música nas Igrejas, além das exposições em sua Galeria Renato de Almeida.

Souza Santos relaciona ainda que a Escola de Artes Pró-Música, que concede bolsas de estudo com empréstimo de instrumentos, é outra ação permanente. Nos cursos livres formam-se continuamente valores para destacadas orquestras do país ou para os próprios grupos da associação. Paralelamente, a entidade mantém, além da Orquestra Barroca, Sinfônica, de Câmara, Escola, Pré-Escola, de Jazz, e o Quarteto Spalla Pró-Música, além de Coral, Camerata Jovem e Músicos de Capela. Com os parceiros da iniciativa privada, começaram os eventos de abrangência nacional e internacional, surgindo os consagrados concursos nacionais de piano e de cordas, o Pró-Jazz Festival e o Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga.

Serviço

Solenidade: Assinatura do termo de incorporação do Centro Cultural Pró-Música pela UFJF

Data: 9 de junho, às 10h30

Local: Museu de Arte Murilo Mendes (MAMM)

Endereço: Rua Benjamin Constant, 790, Centro, Juiz de Fora, MG

Contatos: (32) 3229-9070 (MAMM) e (32) 2102-3964 (ProCult)

Histórico Pró-Música

No início dos anos 1970, mais precisamente em 1971, o casal Maria Isabel e Hermínio de Sousa Santos e um grupo de colaboradores liderados pelo pianista Arnaldo Estrella começaram a tornar realidade o sonho de dar à cidade de Juiz de Fora (MG) um concerto mensal  de música erudita. Do sonho do recital mensal surgiu o Centro Cultural Pró-Música, uma associação sem finalidade lucrativa, de utilidade pública municipal, estadual e federal. Deste sonho realizado nasceu o Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga e o Projeto Ação Social Através da Música.

Conhecido no Brasil e no exterior por promover o Festival e pelo trabalho de formação de músicos de orquestra, o Centro Cultural Pró-Música é um dos raros exemplos de trabalho contínuo em prol da cultura sem ligação direta com o poder público. São quatro décadas – que se completam no final deste ano – de atividades ininterruptas na formação de músicos e de público além da abertura de mercado para músicos eruditos. Além de realizar o Festival que projetou a cidade de Juiz de Fora – Minas Gerais – no cenário cultural para o Brasil e o para o mundo, o Pró-Música permanece em contínua atividade 12 meses por ano. O centro promove as séries mensais Clássicos Pró-Música, Terças Musicais e Música nas Igrejas, além de exposições em sua Galeria Renato de Almeida -  principal espaço para mostra de artes plástica em Juiz de Fora nas  décadas de 70 e 80.

A Escola de Artes Pró-Música, onde funciona seu projeto de bolsas de estudo com empréstimo de instrumentos, é outra destas ações permanentes. Em seus cursos livres e através do acesso dos alunos a professores de referência formam-se continuamente novos valores para algumas das mais destacadas orquestras no cenário da música de concerto do país ou para os próprios grupos da associação.

Paralelamente à consolidação da escola de artes, a entidade trabalhou para criar e manter grupos próprios. Hoje são dez formações estáveis, entre orquestras e conjuntos de câmara. Além da internacionalmente conhecida Orquestra Barroca, são mantidos pelo centro cultural as orquestras Sinfônica, de Câmara, Escola, Pré-Escola, de Jazz, e o Quarteto Spalla Pró-Música, além de Coral, Camerata Jovem e Músicos de Capela.

Com a participação de parceiros da iniciativa privada, o centro cultural passou também a investir em eventos de abrangência nacional e internacional. Assim surgiram os consagrados concursos nacionais de piano e de cordas, o Pró-Jazz Festival e o próprio Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga.

Desde a fundação, a direção do Pró-Música estava atenta a um movimento ainda nascente no Brasil, o da música antiga. O primeiro rebento foi o conjunto Pro Musica Antiqua, criado em 1978. A partir daí, a instituição investiu na aquisição de instrumentos apropriados – até mandou construir violinos barrocos, já que não havia exemplares no país – e na formação de novos grupos voltados para o repertório.

A criação do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga – com a primeira edição aberta em 8 de julho de 1990 -  veio como conseqüência natural desta patente vocação do centro cultural para a música antiga. Em 22 anos, que completa em 2011, o evento cristalizou estes objetivos e os ampliou tornando o trabalho realizado em Juiz de Fora referência nacional e mundial no ensino e interpretação da música colonial e antiga.

Nesta história de muitas dificuldades, leais parcerias e inúmeros resultados culturais para o país, o Centro Cultural recebeu o reconhecimento de público e crítica, mas também a confirmação do sucesso desta trajetória através de prêmios de importância nacional e internacional. Em 1994, foi agraciado com a Insígnia da Inconfidência, concedida pelo Governo do Estado de Minas Gerais. Em 2000, o Festival recebeu o prêmio Rodrigo Mello Franco de Andrade do Ministério da Cultura, através do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), na categoria preservação de bens móveis e imóveis. A distinção, de caráter nacional, é oferecida anualmente pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN a ações de preservação do patrimônio cultural brasileiro que, em razão da sua originalidade, vulto ou caráter exemplar, façam-se dignas de registro, divulgação e reconhecimento.

Em 2002, o Pró-Música recebeu a Ordem do Mérito Cultural do Ministério da Cultura por sua contribuição na divulgação mundial da cultura brasileira. A insígnia concedida pela Casa Civil da Presidência da República e pelo Ministério da Cultura é o maior prêmio que uma instituição dedicada à cultura no Brasil pode alcançar. De todas as ordens existentes em Portugal e no Brasil, esta é a única destinada especificamente a honrar e estimular a cultura, o que a torna ainda mais representativa para uma associação, sem fins lucrativos, que mantém um trabalho constante nas áreas cultural, artística, educacional e social e que, através dos Festivais de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, conseguiu projetar a cultura brasileira no exterior. Já em 2007, o agraciado foi o violinista barroco e diretor artístico do Festival, Luís Otávio Santos, pelo reconhecido trabalho de divulgação da cultura brasileira no exterior. O Mérito Comendador Henrique Guilherme Fernando Halfeld, foi concedido pela Prefeitura de Juiz de Fora em 2006.

Foi assim que, com a participação de inúmeros colaboradores e admiradores, a proposta inicial de compromisso para a realização de um concerto por mês se transformou em um verdadeiro complexo de atividades culturais com espaço próprio- um teatro com capacidade para 500 pessoas- e cerca de 3.800 eventos realizados. Uma verdadeira obra de idealismo e persistência construída com o objetivo de conquistar um avanço na capacidade de produzir cultura em nosso País.

Julio Cesar de Souza Santos

Pela continuação da cultura

A história pesquisada com justiça e isenta de qualquer parcialidade é elemento que deve ser respeitado. Hoje o Centro Cultural Pró-Música fecha um ciclo de constantes e ininterruptos trabalhos na área da cultura e da educação, na formação de público e de músicos com importantes benefícios sociais para a cidade de Juiz de Fora. Aqui, a instituição conquistou o respeito, a admiração e o apoio de centenas de milhares de cidadãos juiz-foranos.

O Pró-Música chega aos seus 40 anos como fruto do propósito e do idealismo da família Sousa Santos. Sonho transformado em luta, em um doar-se consciente que produziu resultados hoje marcantes na vida cultural da cidade. A partir da força da juventude de seus idealizadores, da crença no poder da arte, foi edificada, durante quatro décadas, esta organização civil sem fins lucrativos com atuação verdadeiramente pública.

Assim é que, conscientes do dever cumprido e desejosos de que o Pró-Música possa continuar a existir, os diretores procuraram a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), na pessoa do Magnífico Reitor Henrique Duque de Miranda Chaves Filho, propondo que a instituição – de poder universal – encampasse o trabalho até aqui realizado, mantendo-o e – esta é nossa convicção – tornando-o ainda maior.

Para isto, foi proposta a doação, sem nenhum ônus financeiro para a UFJF, de todo o patrimônio material – prédio do Teatro Pró-Música, os demais bens existentes – e o legado de sua marca e de suas realizações. A proposta foi acolhida de imediato pelo reitor – homem visionário e de grande espírito empreendedor –, trabalhada nos últimos anos em conjunto pela direção do Pró-Música e pela Pró-Reitoria de Cultura, através do pró-reitor José Alberto Pinho Neves, e, agora, aprovada pelo Conselho Superior da UFJF.

Aqui se encerra este primeiro ciclo de nossos trabalhos.

Assinam esta página histórica para a comunidade seus diretores.

Maria Isabel de Sousa Santos, Presidente

Júlio César de Sousa Santos, Vice-presidente

Hermínio de Sousa Santos, Secretário-geral

Música: o enlevo da alma

A Universidade Federal de Juiz de Fora ainda desfrutava da sua juventude institucional quando foi criado em Juiz de Fora o Centro Cultural Pró-Música, que veio a nos ensinar algumas lições. Primeira lição: que a música erudita pode e deve ser difundida para todos; que a música antiga não tem fronteiras, independe de classe, crença, ou de qualquer outro fator discriminatório, bastando apenas que seja apresentada a todos.

Segunda lição: antes mesmo dos movimentos sociais, das ONGs, da conscientização da sociedade civil, brasileiros em Juiz de Fora se uniram com um objetivo comum e, valente e abnegadamente, construíram um patrimônio que ultrapassou fronteiras. Um patrimônio cultural de grande relevo e importância, projetando a cidade de Juiz de Fora para o Brasil e para o Mundo.

Terceira lição: esses mesmos abnegados combatentes pela cultura atacaram em diversas frentes, levando cultura e disponibilizando a arte em suas mais diversas manifestações para todos os públicos e para todas as gentes.

Ao longo de sua existência, UFJF e Centro Cultural Pró-Música construíram diversas parcerias e, agora que a Universidade acabou de completar 50 anos, resolveram investir na mais audaciosa parceria jamais sonhada pelas duas. Resolveram se unir, de maneira cabal e definitiva, em prol da cultura e da arte. A Universidade, agora com seu curso de música, com um bacharelado interdisciplinar de artes voltado para as mais diversas manifestações do espírito humano, com diversas formas de atuar no palco cultural da cidade de Juiz de Fora, seja no Cine-Theatro Central, seja no Museu de Arte Murilo Mendes e em diversos outros projetos permanentes ou temporários, e o Pró-Música, com suas atividades de extensão musical, com seu coral, orquestra, conjuntos de câmara, e festival dedicado à mantença da música colonial brasileira, e tantas outras ações culturais nos mais diversos campos, são, agora, uma única e sólida Instituição.

A partir da doação de todo o patrimônio do Centro Cultural Pró-Música para o patrimônio da UFJF, aprovado pelo Egrégio Conselho Superior em 30 de março de 2011, nasce uma nova realidade para a música erudita, para os diversos campos de atuação cultural.

Sabemos, como bem disse Guimarães Rosa, que “o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia”. Nós, Universidade Federal de Juiz de Fora e Pró-Música, a partir de agora, construiremos juntos o nosso caminhar, faremos travessias por entre as veredas dessas “minas dos matos gerais”, continuando a levantar a bandeira da cultura, do enlevo do espírito. O real se fará, portanto, nesse caminhar entre as veredas, não mais sozinhos ou em parceria, mas formando um único e mesmo caminho.

E assim continuaremos espalhando luz, levando conhecimento, não mais na aridez da ciência, mas com os acordes musicais que embalam a alma.

Henrique Duque de Miranda Chaves Filho, Reitor da UFJF

Quatro décadas de cultura

No início dos anos 1970, mais precisamente em 1971, o casal Maria Isabel e Hermínio de Sousa Santos começou a tornar realidade o sonho de dar à cidade de Juiz de Fora (MG) um concerto mensal gratuito de música clássica. Quarenta anos depois, é fácil perceber que os dois mineiros nunca pararam de sonhar e tornaram a cidade referência no país e no mundo quando o assunto é música de concerto, especialmente música colonial e antiga, e formação de músicos e de plateias. Do sonho do recital mensal surgiu o Centro Cultural Pró-música e, deste sonho realizado, nasceu o Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga.

O prestígio de Maria Isabel e Hermínio no cenário da música de concerto sempre se evidenciou com abrangência. Em 1975, o conceito de que desfrutavam era invejável, como comprova a declaração de Nelson Freire, um dos maiores pianistas do mundo: “Tenho a mais profunda admiração pelo maravilhoso trabalho feito pelo Centro Cultural Pró-Música em prol da música. Que outros sigam este exemplo!”

Concretizada e consolidada a primeira etapa, a direção do Centro Cultural Pró-Música resolveu galgar outros degraus: a formação de músicos. Quando contratou o jovem Homero de Magalhães Filho para ministrar seu primeiro curso – flauta doce -, os diretores nem podiam imaginar que plantavam a semente da Escola de Artes Pró-Música, celeiro de novos talentos, que, nos anos 2000, teria quase dois mil alunos, sendo que 300 dos quais bolsistas do projeto “Ação social através da música”, que impulsiona a formação de novos valores que ocupam o espaço em destacadas orquestras nacionais ou nos próprios grupos estáveis da instituição.

Desde sua fundação, a realização de concertos mensais gratuitos que integram o programa de formação de plateias muito contribuiu para consolidar no imaginário coletivo da terra de Murilo Mendes a presença da instituição.

Sem ligação direta com as esferas governamentais, sempre buscando parceiros de credibilidade na iniciativa pública e privada, o Centro Cultural Pró-Música funciona como verdadeiro centro de produção de cultura com realizações aplaudidas e premiadas. O prestígio é marca da instituição, contemplada por duas vezes com a Ordem do Mérito Cultural, reconhecimento da Presidência da República a contribuições para a divulgação da cultura brasileira no país e no exterior.

O percurso da união

Em carta-ofício ao Magnífico Reitor Henrique Duque de Miranda Chaves Filho, em 4 de setembro de 2008, os dirigentes do Centro Cultural Pró-música solicitaram um estudo sobre a possibilidade de a instituição ser incorporada pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Por Portaria nº 88 de 5 de fevereiro de 2009, o Magnífico Reitor constituiu Comissão formada por representantes da UFJF, do Pró-música e do Ministério da Educação para promover estudo de incorporação pela UFJF do Centro Cultural Pró-música. Em cumprimento à portaria, em 14 de junho de 2009, a Comissão sugeriu ao Magnífico Reitor a Minuta do Protocolo de Intenções a ser firmado entre as partes envolvidas, compatível com o Estatuto do Centro Cultural Pró-música e com o Estatuto e Regimento Geral da UFJF. Atendendo à sugestão da Pró-reitoria de Cultura, o Magnífico Reitor nomeou, pela Portaria nº 739, de 20 de agosto de 2010, nova Comissão, composta por representantes das partes envolvidas, da Fundação Museu Mariano Procópio (MAPRO), da Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão (FADEPE-JF), para efetuar verificação do melhor modelo de incorporação, analisar ativos e passivos do Pró-Música; promover o levantamento do seu patrimônio; apresentar sugestão de proposta jurídico-cultural; bem como minuta do Regimento e Plano Diretor a serem aprovados pelo Conselho Superior da UFJF. Em 17 de setembro de 2010, a Comissão encaminhou ao Magnífico Reitor o estudo detalhado do seu objetivo para análise e providências cabíveis. Dando continuidade ao processo, a Secretaria-Geral da UFJF solicitou relato e parecer à Conselheira Profa. Dra. Diva Chaves Sarmento que, submetidos à apreciação do Conselho Superior da UFJF, lograram aprovação em 30 de março de 2011.

Parecer Da Profa. Dra. Diva Chaves Sarmento, Conselheira-Relatora Do Processo De Incorporação Do Centro Cultural Pró-Música À Ufjf.

O Centro Cultural Pró-Música, fundado no ano de 1971, constituiu-se como sociedade civil sem finalidade lucrativa registrada sob o no. 318 às folhas 140 a 140 verso do Livro A-1 do Registro Civil das Pessoas Jurídicas de Juiz de Fora. A Associação foi reconhecida de Utilidade Pública em âmbito Federal pelo Decreto no. 86.238/81, em âmbito Estadual pela Lei no. 6.017/72 e em âmbito Municipal pela Lei no. 4.000/72. O Centro Cultural Pró-Música, desde sua criação, tem atuado de forma determinada na difusão da música, principalmente a música antiga e erudita e formação musical de novas gerações. Os estudos realizados pelas Comissões designadas para analisar a proposta de incorporação do Pró-Música à UFJF permitem perceber a sinergia entre os propósitos das duas instituições no que concerne à promoção e divulgação da cultura da região. A criação do Instituto de Artes e Design, na UFJF, compreendendo, entre outros, o curso de música, assinala interesses comuns. Entende-se que o acervo e a experiência acumulada pelo Pró-Música pode ampliar os campos de ação da Universidade nas áreas da pesquisa, do ensino e da extensão. [...] A proposta é incorporar o Pró-Música como Órgão Suplementar da Reitoria, e a Minuta de Regimento procura disciplinar a missão e os objetivos do órgão garantindo que estejam em consonância com os interesses e a perspectiva histórica das duas instituições.

Pelo exposto e nos termos em que se define a proposta, sou favorável a que o Conselho Superior da UFJF manifeste-se pela solicitada incorporação. SMJ.

Diva Chaves Sarmento, Conselheira-relatora

Assessoria Pró-Música (32) 3216-4787

Lilian Pace (32) 9112-5581

Fabiola Costa (32) 9982-2422

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